InVersos: Eduíno de Jesus – Com as mãos


Com as mãos
construo
a saudade do teu corpo,
onde havia

uma porta,
um jardim suspenso,
um rio,
um cavalo espantado à desfilada.

Com as mãos
descrevo o limiar,
os aromas subtis,
os largos estuários,

as crinas ardentes
fustigando-me o rosto,
a vertigem do apelo nocturno,
o susto.

Com as mãos procuro
(ainda) colher o tempo
de cada movimento do teu corpo
em seu voo.

E por fim destruo
todos os vestígios (com as mãos):
Brusca-
mente.

Eduíno de Jesus

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InVersos: Rogério Medeiros – Ser poeta (maldito) é…


“Ser poeta (maldito) é…”
É ser assim como eu me mostro,
É ter menos de homem e mais de monstro
É ter sangue nas mãos e em cada pé.

É ser gigante, é ser duro, é ser herói,
É sofrer calado e fingir que nada dói.
É ser e não ser e ser uma sombra,
É ser e viver o que os outros assombra.

Sou poeta maldito e amaldiçoo
A rã no seu grito,
A ave no seu voo.

Sou poeta maldito e as musas engano
Quando digo que as amo
Com a certeza que minto.

Sou poeta maldito,
De horrores faminto…

Rogério Medeiros