InVersos: Luís Pedro Viana – A chuva fina


Miúda e lenta, leve,
Passeia nos meus olhos
Brilhantes cristais pequenos
Cobrindo como manto a cinza atmosfera.
Miúda e lenta menina,
Terna em sossego
Pequenina, muito fina,
Acalma a fúria entre o sonho
No real fogo da fera.
Menina sem voz e canto denso,
Sempre leve com seu manto
Da cor da cinza atmosfera.
Contemplo esta dança do céu
Sem a pressa enervante e lentamente
Anunciar um nascer imaginário
De filhos novos crescendo,
Num simbólico perpétuo movimento
Para dar vida como as contas dum rosário.
É agradável se a sentires igual
Ao borbulhar do champanhe numa festa.
Contínua a dança desta noiva,
Aparece miúda e leve;
Mas alegre!
Desce pequenina, miúda e lenta, leve,
A natureza que te espera como mãe
Se alimenta no ventre, que seja para
Sempre, miúda e lenta…
Não tão breve.

Luís Pedro Viana