InVersos: Eugénio de Andrade – Poema para Sophia


Não sei porque floriram no meu rosto
os olhos e os versos que há em ti.
Floriram por acaso, ao sol de agosto,
sem mesmo haver agosto ou sol em mim.
Não sei porque floriram: se o orvalho os queima…
(Ponho as mãos nos olhos para os proteger!)
Tão estranho!: florirem no meu rosto
olhos e versos que não posso ver.

Eugénio de Andrade

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InVersos: Guimarães Rosa – Soneto da Saudade


Quando sentires a saudade retroar
Fecha os teus olhos e verás o meu sorriso.
E ternamente te direi a sussurrar:
O nosso amor a cada instante está mais vivo!
Quem sabe ainda vibrará em teus ouvidos
Uma voz macia a recitar muitos poemas…
E a te expressar que este amor em nós ungindo
Suportará toda distância sem problemas…
Quiçá, teus lábios sentirão um beijo leve
Como uma pluma a flutuar por sobre a neve,
Como uma gota de orvalho indo ao chão.
Lembrar-te-ás toda ternura que expressamos,
Sempre que juntos, a emoção que partilhamos…
Nem a distância apaga a chama da paixão

Guimarães Rosa

InVersos: Maria Delmond – Sacerdotes e Profetas


Odeie os sacerdotes que vivem sob o hábito.
Esse que lhes esconde as genitálias.
E essas impossíveis de ser proibidas, vedadas, impedidas e nunca constrangidas.
Sempre afoitas e normais.
Até demais por abuso de poder e autoridade.
Talvez esses sejam os mais paralíticos e entrevados de alma…
e que tentam ainda fazer milagres com o dinheiro alheio,
saqueadores templários de todas as eras.
Em todas as facções religiosas, com algumas raras excessões.
Mudando apenas os nomes em suas instituíções.
Porque os profetas… esses por suas profecias, não falta para eles
o ódio e o calabouço e a mordaça.
Eles não vivem das riquezas e da exploração do povo,
não tem cara, casa nem paradeiro.
Transmitem o que recebem do além, proferem e correm
para as cavernas e desertos e montanhas porque desmascaram
sem medo os reis.
Is it!

Maria Delmond