InVersos: Mara da Costa Romaro – Carta da Primavera

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Desta chuva que se cala,
em madrugada que acende em crepúsculo.
Colorem de verde a palidez das montanhas,
e acendem as cores para a visão mais penetrante.
E em instantes
enquadram a poesia dormente,
da timidez cega imposta,
por todos essas momentos agendados.
E por vazios pintados de ilusão,
em ação diária perpétua
repleta de inutilidade.
Nas brechas,
a sagacidade de sorrir
e interrompidos sonhos pueris,
de longínquos lugares verdes
delineados por brotos de flores nascentes.
Antítese do vazio de todos os minutos tomados,
antepondo-se
a todos vazios preenchidos de ocupação,
de algum programa de entretenimento,
ou apenas,
de um sono entorpecente.
E se acendem as cores,
reabrindo as trancadas esperanças.

A delicadeza de uma FLOR,
o poema perfeito
feito
de nenhuma palavra,
porque já diz tudo.

Mara da Costa Romaro

Lido e produzido por Rui Diniz

Música: Sambodhi Prem – “Listening and Disappearing”
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Fotografia: José António Alba
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