InVersos: Maria Oliveira – Viagem sem regresso

Abandono os céus sob os quais a espécie humana
Se desflora a si mesma
Onde os mundos da agonia se cruzam
Se enforcam se abusam
Deixo sem vontade de comunicar com o transitório
Com o conflito o sangue o tresloucado o fantasmagórico
Levanto asas rumo à profundidade cósmica
Finalmente descanso hiberno para o invisível
Pois o estado terreno é música cortante
Gesto de amante choro de criança
Grito de mãe bofetada ciúme inveja posse azedume

O medo comprime a criação e o homem
Na guilhotina da paranoia
O sonho expande e transporta as criaturas
Cada vez mais longe para lá
Da pluralidade dos submundos estelares
Por isso não volto!
Deixei de entender a língua afiada dos homens
Corto as amarras sigo outra rota
Rumo à galáxia que não existe
Nunca se alcança
Tal como a linha do horizonte
Que falseia a perceção
Saltito então em forma de vaga-lume
Em campo aberto multicolor melodioso
E eternamente manso

Maria Oliveira

Lido e produzido por Rui Diniz

Música:
Ray Montford – “3 Am”
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