InVersos: Manuel Pintor – TV te vês

quem és
no que tu vês
ventríloquo das falas do mundo
pedestal de farsas
de janelas os disfarces
alçapões de verdade
esquecida
sob mantos brancos de mentira

quase me gritas
a ânsia cega
o ócio incestuoso das vaidades
sem vislumbre de pudor
agonizante
em fátuos falsetes
hipérboles arrebatadas

quem és
da vã loucura
no ventre sangrento do mundo
que palavra sagrada
me unges decapitada
e não me ditas

quase me dizes
a hora que desfalece
e calas do embrião a semente
florescente dos tempos
que silêncio incólume
alguma vez desvanece

quase vejo
sem sequer t’ver

Manuel Pintor

Lido e produzido por Rui Diniz

Música: Margaret Maria Tobolowska – “Magik”
Magnatune.com
Efeitos Sonoros por connum e qubodup em
Freesound.org
Fotografia: Tookapic
Pexels
Creative Commons License

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InVersos: Mara da Costa Romaro – Carta da Primavera

http://pixabay.com

Desta chuva que se cala,
em madrugada que acende em crepúsculo.
Colorem de verde a palidez das montanhas,
e acendem as cores para a visão mais penetrante.
E em instantes
enquadram a poesia dormente,
da timidez cega imposta,
por todos essas momentos agendados.
E por vazios pintados de ilusão,
em ação diária perpétua
repleta de inutilidade.
Nas brechas,
a sagacidade de sorrir
e interrompidos sonhos pueris,
de longínquos lugares verdes
delineados por brotos de flores nascentes.
Antítese do vazio de todos os minutos tomados,
antepondo-se
a todos vazios preenchidos de ocupação,
de algum programa de entretenimento,
ou apenas,
de um sono entorpecente.
E se acendem as cores,
reabrindo as trancadas esperanças.

A delicadeza de uma FLOR,
o poema perfeito
feito
de nenhuma palavra,
porque já diz tudo.

Mara da Costa Romaro

Lido e produzido por Rui Diniz

Música: Sambodhi Prem – “Listening and Disappearing”
Magnatune.com
Fotografia: José António Alba
Pixabay
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