InVersos: Sónia M – À beira do abismo


Estes são dias parados
à beira do abismo
– uma ferida aberta
na voz do povo
por onde o mar se adentra

dói-me o sal das suas gargantas
em carne viva – já sem gritos
doem-me as suas mãos
cada vez mais vazias

E eu só queria que me dissesses
como acender as luzes dos seus olhos
e como apagar a noite lá fora…

Sónia M

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InVersos: Sónia M – Tudo à volta se move


Tudo à volta se move.
É firme e seca a terra
e eu sinto que as águas me engolem.

Julguei-me o sonho
mas dele
não sou mais que a névoa.

O provável que afastas
com medo que arda.
A poeira pousada no vestido transparente
da solidão que persegues.

Baixo os braços
cansada
de ficar frente às luzes que acendes.
Uma a uma sopro-as.
A dor tacteia as paredes
mas eu sou
o escuro do quarto que a cega.

Enquanto o silêncio alucina ainda
com o gemido de outras noites
eu emerjo do fundo do poço
sem que os meus lábios beijem as águas.

Sónia M