InVersos: António Cabral – Aposto ao “Homem Mensura”


As palavras húmidas
Do suor nascido
E corrido das
Paredes do cérebro;

As palavras idas
No corpo do vento,
Vindas no comboio
Noturno dum sonho;

As palavras dadas
Na respiração
Dos poros, nas mãos
Marcadas de terra;

Essas é que dão
Lugar à ternura
E gritam o homem
Dos pés à cabeça.

Palavras que sejam
O ritmo do sangue
E tenham a altura,
Toda duma alma;

Palavras talhadas
A’ feição dos ossos!
Essas e só essas
Nos encontram, homens

Com os pés de argila
Pegados à noite
E os olhos furando
A última galáxia.

António Cabral

Lido e produzido por Rui Diniz

Música: Peggy Duquesnel – “Kiwi Friend”
Magnatune.com
Creative Commons License

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