InVersos: Telma Estevão – Cavando palavras



E por vezes a alma
Acorda-me dos sonhos
Com uma voz diluída
E os meus dedos de mármore
Escrevem versos vagos e frios.
Por vezes também a mim me comove
A agonia das sílabas e das consoantes
O soluço profundo
Que emana o altar do poema.

E por vezes o que escrevo
Já foi artigo de saudade
Quimera abençoada, claridade proibida
Alma dobrada afogada em sangue quente.

E por vezes existe dentro de mim
Uma tempestade silenciosa
Um sonho ingénuo
Deitado no quente do meu travesseiro
Um misto de oração e feitiço
Cheirando a incenso.

E por vezes meus espasmos de escrita
Contêm versos transparentes…
Límpidos como o orvalho depositado
Na claridade da manhã.

Telma Estêvão

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