InVersos: Maria Azenha – Vejo crescer a lua


Chamo-te
tal como outrora:

as raízes das árvores
estão fazendo o inverno numa jaula
debaixo do solo

a que nasceu com um vestido branco de sombra
está sonhando ainda num cavalo de névoa

e o vento chegou com o seu leque de água
no lugar antigo do orvalho
como se estivesse sufocando
para dentro de uma pedra

há um colar de penumbra
enrolado ao pescoço
com frases que rangem no quadrado do quarto
no fundo de um poço

alguém que não conheço e vem do lugar da noite
com escorpiões nos braços
desce as escadas no mistério de uma abelha
no espaço do tronco

vejo crescer a lua
para dentro do cárcere de agosto
com um chapéu de abandono de folhas secas
e parcas

a minha sombra cai dentro da sombra
sem que de si possa lembrar-se

maria azenha

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s