InVersos: Eterno Branco, Poema 2 – Veruska

InVersos: Veruska – Eterno Branco, Poema 2 from Rui Diniz on Vimeo.

 

Desejo muito mais que o ténue amaciar
muito mais que a exigência da limitação desta vida
desejo angustiadamente aquele abraçar das árvores secas
que o mar me envolva na agressividade do gelar

É necessário transgredir,
não deixar que nos roubem e abafem o prazer e a alma…
É imperativo fazer parar o tempo, o mexericar nas feridas
e que vigore a projecção, mas sem saltar!
É urgente que o cabelo e os dedos esvoacem sem cessar
que as manhãs frias se tornem ardentes pelo simples tocar

E que se assassine a consciência
que as asas do pensamento sonhador
engravidem docemente…

É necessário que as pragas e maldições
se comam e evaporem,
que o lutar seja naturalmente possuir,

E este meu desejo é tão grande
que em átomo se transforma
perfurando-me bem lentamente
até ao dia em que a eternidade
me toca e beija apaixonadamente…

Veruska

InVersos: Eterno Branco, Poema 1 – Veruska

InVersos: Veruska – Eterno Branco, Poema 1 from Rui Diniz on Vimeo.

 

É disto que vos falamos:
do brilho das estrelas
do prateado da lua
das páginas brancas do livro da vida
que todos os dias se vão pincelando;

O amor: eterno e branco,
é disto que te falamos:
da poesia do movimento,
do virtualismo aliado à paixão
da rima que se constrói minuto a minuto
da voz que vem cá de dentro,

limpa, fluida, branca… eterna

o beijo

Veruska

InVersos: Anjo És – Almeida Garrett

InVersos: Almeida Garrett – Anjo És from Rui Diniz on Vimeo.

 

Anjo és tu, que esse poder
Jamais o teve mulher,
Jamais o há-de ter em mim.
Anjo és, que me domina
Teu ser o meu ser sem fim;
Minha razão insolente
Ao teu capricho se inclina,
E minha alma forte, ardente,
Que nenhum jugo respeita,
Covardemente sujeita
Anda humilde a teu poder.
Anjo és tu, não és mulher.

Anjo és. Mas que anjo és tu?
Em tua fronte anuviada
Não vejo a c’roa nevada
Das alvas rosas do céu.
Em teu seio ardente e nu
Não vejo ondear o véu
Com que o sôfrego pudor
Vela os mistérios d’amor.
Teus olhos têm negra a cor,
Cor de noite sem estrela;
A chama é vivaz e é bela,
Mas luz não têm. – Que anjo és tu?
Em nome de quem vieste?
Paz ou guerra me trouxeste
De Jeová ou Belzebu?

Não respondes – e em teus braços
Com frenéticos abraços
Me tens apertado, estreito!…
Isto que me cai no peito
Que foi?… – Lágrima? – Escaldou-me…
Queima, abrasa, ulcera… Dou-me,
Dou-me a ti, anjo maldito,
Que este ardor que me devora
É já fogo de precito,
Fogo eterno, que em má hora
Trouxeste de lá… De donde?
Em que mistérios se esconde
Teu fatal, estranho ser!
Anjo és tu ou és mulher?

Almeida Garrett